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CSEABRA

Coimbra à noite. Reflexos III -- Acrílico s.. tela -- 120 x 80 cm.jpg
10 - Porta Férrea. Anos 40 -- acrílico -100 x 80 cm --  CarloSeabra.jpg
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PINTURA

        CSeabra  Motta 

 
Jardim de Histórias

Sugestão de música de fundo 

      ( As diversas páginas vão sendo acompanhadas por links para músicas de fundo 
que tentam criar um ambiente adequado ao assunto ou às imagens apresentadas a seguir . Outras vezes, também, apenas ramificações ilustrativas do tema ou das imagens em apresentação.

        Optou -se por incluir as músicas com os vídeos associados, em vez de apenas o som, para que , em havendo curiosidade, se possa ver também o video. )

                                            

                                                  INTRODUÇÃO 

                       E MOTIVO DE ALTERAR A ASSINATURA
   


         Este website começou a ser feito em Novembro de 2022 e ao início era para ser apenas um portfólio de pintura ou uma exposição online permanente, mas com o passar do tempo foi se desenvolvendo cada vez mais, tanto no texto da página  O Percurso de pintura  como na Página inicial e nas páginas de fotografias, e acabou por se transformar numa espécie de ensaio auto biográfico, um jardim de memórias e um álbum das fotos de pintura que foi possível ir guardando ao longo dos anos.      
       Não foi feito com intenção de ser visto numa pausa para café, uma vez que também é demasiado extenso para isso. A intenção foi mais a de fazer uma espécie de livro ilustrado que possa ser guardado para ler ou ver num tempo de férias ou num fim de semana de lazer.
        E ao mesmo tempo para voltar a ser visitado sempre que apetecer, como quem regressa para passear em um jardim de infindas histórias e paisagens.
        Daí o nome de Jardim de Histórias.
      
       O site é um espaço dinâmico e em permanente construção, uma vez que não está ainda terminado.
      Histórias e diversos episódios ocorridos ao longo dos anos serão acrescentados gradualmente ao longo do tempo na página de Folhas Soltas e também nas descrições alusivas às diversas pinturas nas páginas de fotos.
 
      

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       O website foi formatado para ser visto no computador. De qualquer modo também está reconfigurado para telemóvel só que algumas funcionalidades ficam alteradas, a apresentação fica parcialmente desconfigurada, os textos  parecem tornar -se  intermináveis por causa de apenas ter 3 ou 4 palavras em cada linha  e as fotos perdem todo o efeito da visão geral do quadro. A quem tenha o mínimo interesse em ver os quadros aconselha -se vivamente a que seja visto no computador sempre que possível. 

      Também é frequente as cores parecerem demasiado fortes ou mesmo artificiais quando a regulação de luminosidade dos ecrãs está demasiado alta. Convém ajustar a luminosidade até obter a intensidade certa.

      As diferentes páginas podem ser acedidas através dos títulos na coluna do lado esquerdo no computador e no telemóvel no ícone com 3 tracinhos.
 
       O website continuará a ser frequentemente actualizado e renovado

        O endereço é 
                                          carlosmseabra.wixsite.com/jardimdehistorias

          ( não funciona no google mas na barra de endereços ... )
           
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             Sugestão de música de fundo 






                                     MOTIVO DE ALTERAR A ASSINATURA
                                               para CSeabra Motta


         O motivo de acrescentar o nome dos antepassados na assinatura deve -se ao facto de haver um  pintor na região centro que também assina Carlos Seabra e já por diversas vezes terem pensado que um era o outro. Ao mesmo tempo também há um poeta e escritor que assina Carlos Seabra. 

         Já antes sabia que o nome Seabra era derivado de uma localidade na Galiza, uma vila histórica na rota dos caminhos de Santiago, quase encostada à fronteira portuguesa na zona de Bragança, com o nome de Puebla de Sanabria ou Senabria. O lugar de Puebla de Senabria foi confiado a Mem Rodrigues de Senabria em recompensa pelos serviços prestados à coroa espanhola. No século XIV, devido aos conflitos gerados pela sucessão ao trono de Espanha, Mem Rodrigues de Senabria, tendo sido traído enquanto defendia o rei de Espanha, optou por se aliar ao rei português D. Fernando, ficando a residir em Portugal, e a sua descendência portuguesa, com o evoluir natural da língua, acabou por traduzir Senabria por Seabra. 
       Os núcleos familiares mais antigos tiveram origem na zona de Viseu, Avelãs de Caminho, Mogofores e Coimbra, e também na região de Santarém. 
        Sempre tinha tido uma grande curiosidade em relação aos antepassados mas nunca fizera nada para saber quem eram uma vez que na juventude tinha optado por desligar completamente de todas as influências derivadas da educação familiar e do ambiente social, por causa de ter como principal objectivo de vida a busca pela própria identidade o mais independentemente possível de todo o tipo de influências exteriores, tanto sociais como familiares.
       Mesmo assim o fascínio pela época da Arte Nova e também por outras épocas do passado mais distante manteve-se sempre, a ponto de por vezes ir vendo filmes históricos ao mesmo tempo em que fazia outras coisas, mesmo sem seguir o enredo e só para perceber melhor os modos de vida, costumes e ambientes do passado. Como se ao mesmo tempo fosse construindo na imaginação diferentes enredos.  
        Só em Janeiro de 2023, ao mesmo tempo em que ia elaborando este site, talvez motivado pela perda de vários familiares nos últimos anos e a geração sobrevivente ser apenas a dos primos, pensei que talvez fosse altura de tentar saber algo mais sobre os antepassados.

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         Ao voltar um dia à aldeia natal, devido ao falecimento de mais um familiar, dera conta que num lugar central da vila, havia um busto em homenagem ao avô de uma amiga de adolescência que tinha origens no mesmo lugar mas que havia conhecido já na cidade. Foi o que despertou curiosidade para saber a história da família dela e foi ao pesquisar pelo nome do avô que tinha sido homenageado que percebi que o registo de baptismos e casamentos do Arquivo distrital já havia sido digitalizado e podia ser consultado online, sendo pois possível seguir a linha dos antepassados. Depois de ter pesquisado durante alguns dias sobre a família dela pensei que talvez fosse a altura de poder levantar um pouco do véu sobre a própria família também.
      Nunca soubera praticamente nada sobre a minha família para além da profissão dos avós e dos tios avós que tinham nascido na mesma vila ou na vila vizinha de Avelãs do Caminho. O avô  faleceu quando eu tinha apenas oito anos e uma vez que era ele o patriarca desde então que a família foi começando a desagregar -se passando a restringir-se apenas aos núcleos familiares de pais e filhos. As festas da Páscoa em que algumas dezenas de primos e primas, tios e tias, regressavam à aldeia natal para vários dias de celebrações, festas e reencontros anuais, a pouco e pouco foram deixando de se realizar, e uma vez que, talvez também por isso, passou a evitar-se falar do passado, nunca mais soube nada além de algumas escassas notícias de que alguns viviam em Lisboa ou no Porto, outros tinham ficado mais perto e que nas gerações anteriores grande parte da família tinha emigrado para o Brasil havendo ainda um ou outro primo da geração actual que também tinha emigrado para ir ter com os familiares que já lá estavam.
       Uma das vezes em que regressara à aldeia apenas dera conta de que havia uma rua com o nome de um primo, filho de uma tia avó, que se havia destacado internacionalmente na área da psiquiatria. Para além disso a única referência que também tinha de alguém que se tinha destacado na profissão era a do padrinho de baptismo que só via uma vez por ano, até aos oito anos, por altura da Páscoa, e também filho de uma outra tia avó. Era a única pessoa que na Páscoa oferecia sempre uma prenda grande e cara. Lembrava ainda de um carro de corrida vermelho, com cerca de vinte e cinco centímetros de comprimento, e que tinha um sistema na traseira com uma pedra de isqueiro que parecia deitar faíscas vermelhas pelo motor. Outra vez havia sido um avião da Tap, também com cerca de vinte e cinco centímetros de comprimento e que tinha um suporte accionado por um motor a pilhas que fazia com que o avião subisse e descesse e acendesse as luzes. Uma vez que também tinha ficado com o hábito de nunca falar com outras pessoas o que quer que fosse sobre a família só mesmo por duas ou três vezes e porque vinha a propósito da conversa é que disse na brincadeira a amigos de mais confiança que eles tinham a assinatura do meu padrinho no bolso. Ficaram surpresos e sem saber o que pensar e disse para tirarem o que tinham no bolso. Quando tiraram a carteira disse para verem o bilhete de identidade … e no bilhete de identidade tinha uma assinatura, igual para todos os bilhetes de identidade, que dizia Seabra L. Depois dos oito anos a única notícia que voltei a ter sobre ele é que quando Portugal entrou na União europeia foi chamado para coordenar os serviços de identificação a nível europeu também.  
        Sobre a família do Brasil também nunca percebi se não sabiam mesmo ou se apenas não me queriam dizer e também nunca mais perguntei nada. Apenas sabia que um tio avô tinha tido algum sucesso com uma loja de tecidos e um primo de Avelãs do Caminho tinha emigrado para trabalhar com ele.


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        Após vários meses de pesquisa nos assentos de baptismo e casamento dos arquivos paroquiais de Mogofores e de  Avelãs de Caminho, e mais tarde através de um site de genealogias (Geneall) e também com a leitura de diversos artigos, teses e outros documentos publicados online pelas faculdades de História (relatando ao pormenor diversas épocas, personagens e episódios), foi possível ficar a conhecer a árvore genealógica dos ascendentes até 1610. Os ascendentes na linha dos avós maternos, com quem havia sido criado até aos 6 anos de idade, eram os que despertavam maior curiosidade por causa das características em comum que sempre tinha percebido em diversos tios avós até à segunda e terceira geração.
          O ano de 1610 foi quando nasceu António de Seabra, o Velho, que viria a casar  com Maria da Motta, na paróquia de Mogofores. Desde então que o nome Seabra da Motta foi passando de geração em geração até ao presente. Sem saltar nenhuma geração foi possível verificar todos os ascendentes até 1680. 1680 foi o ano em que nasceu o antepassado em linha directa Manuel Seabra da Motta, na paróquia de Mogofores, casado com  Maria Rodrigues. Pela diferença das datas Manuel Seabra da Motta seria neto ou bisneto de António de Seabra, o Velho. António de Seabra, o Velho, é pois a figura mais antiga de que ainda há registo nos arquivos paroquiais e segundo alguns historiadores seria descendente em linha directa de Mem Rodrigues de Senabria.

        Depois de vários meses a pesquisar sobre os diversos ramos familiares surgiu a ideia de escolher o nome C. Seabra Motta para alterar a assinatura dos quadros. 
         Anteriormente os quadros eram assinados com CSeabra ou CarloSeabra e por vezes CarlosMSeabra,  para distinguir de Carlos Seabra. 


         Se poderia ter algum motivo de orgulho depois de conhecer algo mais sobre a vida de alguns antepassados ? ... Talvez, mas basicamente foi  a confirmação de duas qualidades que já sabia serem uma espécie de herança genética, por causa do que já tinha percebido através do exemplo de vários outros familiares contemporâneos que se destacaram em áreas o mais diversas possível mas quase sempre com os mesmos pontos em comum. A primeira era uma rectidão de carácter, de altruísmo e atenção aos outros, que fazia com que os valores da consciência estivessem sempre acima de todos os outros valores. E a segunda era o que em inglês se costuma classificar pela expressão de “self made man” , ou seja, o homem que se constrói a si mesmo ou que se eleva pelos seus próprios méritos. O que não se importa de recomeçar do zero para não dever nada a ninguém.


        Se tivesse vivido a vida toda sem saber quem era a família e um dia me dissessem que era descendente do comendador Rui Nabeiro, que faleceu neste passado dia 19 de Março (2023), dia do pai, na mesma semana em que estas linhas escrevia, é natural que também sentisse algum orgulho nos familiares, principalmente pela forma consensual como todas as pessoas que o conheceram também se sentiram comovidas e agradecidas por tudo quanto ele fez.
         Mas, mesmo assim ... tem fases em que o único sentimento acrescentado parece ser o do dever cumprido.

          Para além disso, como é natural, o facto de saber que vários antepassados tinham vivido em lugares que me eram bastante familiares e onde as memórias sempre se perpetuaram, em particular a cidade de Coimbra, também foi uma agradável surpresa. 

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         Também foi interessante ter lido diversos documentos descrevendo a evolução histórica das vilas de Avelãs de Caminho, Sangalhos e Mogofores, que se situam a uma curta distância entre si e eram o lugar de origem dos avós maternos, e onde sempre viveram tanto os antepassados mais antigos como também um vasto leque de tios avós.
         Avelãs de Caminho recebeu em 1514 uma carta de foral em que ficava isenta de pagar os habituais impostos do reino porque tinha por obrigação preparar o paço, os aposentos e toda a logística necessária para receber condignamente a comitiva real quando esta se deslocava de Lisboa para o Norte.  
        A antiga via romana de ligação entre Lisboa e Braga, onde actualmente passa a estrada nacional 1, continuou a ser sempre a principal via de ligação ao Norte e o lugar de Avelãs de Caminho parece que era o principal ponto de repouso na viagem.  Curioso pensar que ainda hoje a Bairrada continua a ser um ponto de paragem habitual para quem faz a viagem de Lisboa em direcção ao Norte. Vários pormenores interessantes dão ideia do que era necessário para preparar os aposentos da comitiva real, como por exemplo uma referência a dois casais reguengos (casais que habitavam terras que pertenciam ao património real ) de Sangalhos que também ficavam isentos de impostos por terem a obrigação de fornecer a lenha necessária para todo o tempo em que o rei e os seus acompanhantes permanecessem em Avelãs de Caminho.  
       Havia também uma estreita ligação entre Avelãs do Caminho e o Convento de Santa Clara de Coimbra. Pelo que percebi em antigos documentos terá havido até uma senhora da família dos 'Seabras', como eram frequentemente conhecidos, que foi abadessa do convento de Santa Clara, durante o séc. XV. Também parece ter havido uma ligação frequente com a Universidade, havendo mesmo na família um antigo reitor que era tão estimado pelos estudantes que quando foi chamado para cumprir outras funções em Lisboa, todos os alunos se juntaram para fazer grandes manifestações, primeiro tentando evitar a deslocação e quando perceberam que não era possível evitar a transferência fazendo também manifestações de homenagem. 
         Ao ler diversos documentos e ensaios específicos sobre diferentes momentos da história foi pos
sível perceber que, como em todas as famílias, houve elementos a terem vidas comuns e perfeitamente normais mas também houve diversos elementos que se destacaram em áreas tão diversas como o empreendedorismo, cargos de serviço público, a Universidade de Coimbra e a ligação entre Portugal e o Brasil, e muito frequentemente com várias características em comum. Uma das características que mais sobressaía parecia ser um modo de estar que apesar de ser diplomático e discreto, também era quase sempre revolucionário no sentido de tentar promover ideias avançadas para a época. A participação na revolução liberal de 1820 é apenas um dos exemplos, entre muitos outros. Outra característica que parecia ser comum, fosse qual fosse a profissão, também parecia ser a de haver quase sempre a tendência para querer aliar o desenvolvimento a uma constante preocupação de justiça social. 
         Características que também correspondem a vários familiares que ainda conheci e a grande parte dos tios avós de quem apenas ouvi falar e que fizeram a vida no Brasil.

          Fazer todas estas pesquisas sobre os ascendentes começou por ser uma simples curiosidade em relação aos tios avós que tinha conhecido ou de quem tinha ouvido falar mas com o passar do tempo quanto mais ia descobrindo e quanto mais percebia que havia diversas características nos antepassados que pareciam ser sempre as mesmas apesar de terem vivido em tempos completamente diferentes, mais vontade tinha de pesquisar sobre diferentes ligações e acontecimentos de épocas passadas.


        Além de ter ficado a conhecer melhor diversos momentos da história passada também foi possível descobrir em paralelo vários outros episódios curiosos mas seriam demasiado extensos para aqui descrever, por isso deixo apenas um exemplo de uma curiosidade que também me chamou a atenção. Uma ligação que parece ter havido com a família Pessoa, que deu origem ao nome de Fernando Pessoa, desde o séc. XVII até ao séc. XIX.  
        A primeira referência que foi possível descobrir em que o nome de Seabra e Pessoa se juntam na mesma família é ainda no séc. XVII em Pernambuco no Brasil. Talvez tenha havido outros casamentos em Portugal uma vez que a família Pessoa também tem raízes muito antigas na região de Coimbra e Cantanhede, também estavam ligados a cargos de serviço público e antigamente os casamentos também costumavam estar associados a um certo grau de alianças entre famílias. Mais tarde foi possível confirmar em registo o casamento entre Sebastião Seabra da Motta, natural de Mogofores, e Maria Pessoa, filha de Sebastiana Pessoa, em 1735. E algumas décadas depois foi o avô de Fernando Pessoa, o general Joaquim António Araújo de Pessoa, nascido em 1813, que casou com Dionísia Rosa Estrela de Seabra, filha de José Maria de Seabra e de Ana Rosa Estrela. O filho de ambos, Joaquim de Seabra Pessoa, nascido em 1850, foi o pai de Fernando Pessoa.


       Curiosidades que fazem pensar que o mundo é pequeno e que acontecimentos que na perspectiva da história parecem tão longínquos se forem vistos na perspectiva dos antepassados já parecem tão perto.
       É estranho agora esta sensação de ficar suspenso no tempo por causa de não ter ninguém com quem falar sobre o assunto, uma vez que os familiares que ainda havia das gerações mais antigas partiram nos últimos anos e depois da pandemia apenas sobreviveram os primos mais novos e seus descendentes.

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      Provavelmente também nunca saberei ao certo porque é que nunca me disseram que um primo direito do avô com quem fui criado, filho de uma irmã da bisavó que não conheci mas que lembro bem de ver numa grande fotografia emoldurada, tinha casado com uma parente do príncipe Rainier do Mónaco.
       As únicas razões possíveis para nada me terem dito penso que foram o terem medo que fosse para o Brasil, como era minha intenção no início da juventude, e não voltasse mais, e a outra era o que parecia ser uma característica hereditária já muito antiga. Era o ser educado de forma a pensar em 'singrar' na vida pelos próprios méritos e sem dever nada à família.


        Saber que tinha havido ligações de antepassados recentes com a família Grimaldi também me fez sorrir, mas um sorriso de quem sorri da própria figura, por ter a certeza absoluta de ter escolhido o caminho certo e saber que a vida tinha recompensado amplamente por isso, e ao mesmo tempo também por pensar que se não tivesse sido tão teimoso em querer fazer tudo sozinho e tivesse ido para o Brasil na juventude, aceitando o apoio da família que já lá estava, quem sabe se poderia até talvez, quem sabe, ter conhecido a princesa Stèphanie, "l' enfant terrible" , a única pessoa da família Grimaldi que até despertava alguma curiosidade e simpatia. 
        Não sei o motivo de nada me terem dito sobre a família brasileira mas o que é certo é que agora agradeço sinceramente que o tenham feito. Se me tivessem dito durante a adolescência quem sabe se não teria ido mesmo para o Brasil aos 17 anos, como foi sendo habitual ao longo de várias gerações da família.       
      Só de pensar nisso parece -me agora que teria sido uma espécie de suicídio se tivesse ido para o Brasil. Parece -me inconcebível imaginar que a vida pudesse ter sido diferente do que foi, de tal forma me sinto de bem com a vida que acabei por ter.


        A liberdade para poder escolher em cada momento o que achava ser mais justo e mais correcto acabou por ser o valor essencial e primordial ao longo de toda a vida. A liberdade em relação a tudo e a todos. Quer fossem os amigos, os relacionamentos, as ideologias, os preconceitos, e também em relação às limitações impostas pelo meio social, pela educação e pelo tempo em que havia nascido. Até mesmo a rejeição, talvez um pouco exagerada no início da juventude, em relação à dependência dos bens materiais, aceitando apenas o que era imprescindível e rejeitando tudo o que pudesse  ser supérfluo ou ter alguma sombra de ostentação, foi por ter percebido desde muito cedo que a dependência dos bens materiais condicionava fortemente a liberdade da maioria das pessoas. Desde muito cedo que começara a perceber que a discriminação e o preconceito era um dos fenómenos mais presentes em todo o tipo de sociedades. E tanto acontece a partir dos grupos mais favorecidos em relação aos mais desfavorecidos com também acontece no sentido contrário. Os grupos mais desfavorecidos também discriminam os que vivem num mundo com mais posses materiais. Para além desse tipo de discriminação que sempre foi a mais óbvia e evidente depois também havia todo o tipo de discriminações entre grupos com culturas diferentes, diferentes tipos de educação, nacionalidades, raças, até entre cidades, entre bairros, entre a zona alta e a zona baixa da cidade. Aos dez anos de idade já sabia que para conhecer melhor o bairro dos pescadores, na mesma praia onde os citadinos passavam as férias de Verão, tinha que ir sozinho e sem qualquer adereço que pudesse representar alguma diferença social. Várias outras experiências semelhantes começaram a fazer pensar que se queria conhecer e conviver com todo o tipo de grupos sociais tinha que ser o mais independente e imparcial possível em relação a qualquer grupo, o que mais tarde acabou por fazer com que tivesse cada vez mais tendência para viajar sozinho. 
Existir sozinho permitia ser acolhido por um grupo de sem abrigo como se fosse mais um deles, horas depois estar com um grupo de professores universitários como sendo apenas alguém com dúvidas e questões a colocar, e à noite estar nos bastidores de um qualquer concerto só por ter alguém conhecido ligado à produção.


       Com o passar dos anos também foi dando para perceber que era bastante mais fácil ultrapassar todas as diferenças entre culturas e etnias ou diferentes formas de viver do que as diferenças derivadas da posse dos bens materiais.
       Poderá dizer -se que sempre foi assim nas mais diversas civilizações mas o que é certo é que com a evolução para a sociedade do consumo essas mesmas barreiras começaram a ser cada mais intransponíveis. O individualismo gerado pela sociedade do consumo levou a erguer mais barreiras ainda do que as que existiam no passado. 
       O exemplo que me ficou dos avós também me fez pensar que antigamente havia valores que se foram perdendo nas actuais gerações. A avó geria uma pequena quinta de aldeia com produção suficiente para na altura do cultivo e da colheita da batata e do milho ter de contratar 4 ou 5 pessoas para trabalhar e na época das vindimas não lembro bem mas tenho ideia que talvez entre 5 a 10 pessoas. E a recordação que deixou foi de nunca a ter visto sem fazer nada enquanto os outros trabalhavam. Se era para cavar batatas ela cavava a um ritmo que homens vigorosos e espadaúdos não conseguiam acompanhar. Se era para vindimar ela vindimava, orientava, organizava, atrelava a vaca ao carro de bois para seguir por caminhos de barro lama e pedras por montes que para mim eram autênticos labirintos de floresta, e ao fim da tarde quando os homens iam para casa descansar ela continuava sempre a trabalhar pela noite dentro. Numa quinta agrícola as tarefas nunca acabam. Uma vez que era o único neto que tinha ficado a viver na quinta com os avós, com pouco mais de um ano e até aos seis anos, é claro que tive de aprender a brincar sozinho. Se queria ter a atenção da avó tinha que ir brincar de cavar ou plantar batatas, vindimar ou fazer jogos de equilíbrio em cima do carro de bois, ir dar de comer às galinhas, apanhar fruta, etc, etc. As brincadeiras eram sempre uma forma de aprender a fazer as mesmas coisas que os adultos faziam. É claro que também tinha liberdade para brincar sozinho sempre que me apetecia mas o ritmo de trabalho na quinta era de tal forma acelerado que por vezes até parece que me sentia na obrigação de também ajudar. O resto do tempo deambulava pela quinta aprendendo a conhecer os fenómenos da natureza ao ritmo das estações do ano.
       O avô geria uma empresa local e uma vez por outra também ia para lá brincar. Ia para o sótão recortar os selos de montes de envelopes ou ia para a cave brincar com os carrinhos de rodas de transporte de mercadorias. Quando via a forma como ele tratava as pessoas com quem trabalhava parecia ser uma grande família alargada, cada um com as suas funções, e talvez por isso me tratassem como se fossem tias e tios. Lembro bem de ver a forma como sempre ficava preocupado se alguém estivesse doente ou se tivesse um qualquer problema familiar. Não descansava enquanto não fizesse tudo o que estava ao seu alcance para poder ajudar. O carinho e a atenção que eu sentia que as pessoas ali tinham por mim penso que eram um evidente reflexo e uma consequência da maneira como as pessoas também eram tratadas. 
       Quando passava o dia todo a brincar na quinta o avô costumava chegar às seis da tarde e ainda tinha sempre meia hora para brincar comigo antes do jantar. Quer fosse a regar as plantas do jardim ou a fazer um baloiço na árvore. Penso que deve ser a memória mais antiga, talvez desde os três anos, uma vez que também era a rotina diária, era ouvi - lo chamar cerca das seis da tarde e eu vir lá do fundo da quinta e atravessar a correr o túnel das parreiras nas traseiras da casa para lhe dar um abraço ao fim do dia.  
       Foi este avô que me fez ter curiosidade em saber a história dos antepassados. A maneira de ser bondosa com que tratava todas as pessoas, a preocupação genuína que sentia em relação a todos, fossem eles quem fossem, mesmo sem os conhecer, bastava que fossem da família de alguém conhecido para que ele quisesse ajudar em tudo o que podia. Foi este avô que me fez ser quem sou, e aos oito anos ser a única pessoa que estava ao lado dele quando faleceu com certeza que também me fez passar a ser uma pessoa diferente. 
        É natural pois que tivesse alguma curiosidade em saber quem eram os antepassados. Uma nobreza de carácter assim tinha que vir de algum lado. Quem seria a família que o criou. Infelizmente este tipo de genes não são os mais frequentes na sociedade em que vivemos. 



        Só depois de constituir família é que também pensei que não podia condicionar a vida de outras pessoas e aí o esforço passou a ser redobrado para proporcionar o acesso a uma vida dentro dos parâmetros habituais para a sociedade europeia do séc. XX e XXI, e mais uma vez a intenção principal era permitir que acedessem a uma boa educação para que mais tarde também pudessem decidir em aceder ou não à mesma liberdade que a vida me permitiu ter.        
       Acerca das vidas que poderíamos ter tido, se numa qualquer encruzilhada da vida tivéssemos tomado uma única decisão diferente da que tomámos, há um livro bastante interessante, escrito por Richard Bach, e que se chama "Um". Richard Bach começa por falar das vidas hipotéticas que podíamos ter tido se em dado momento tivéssemos optado por um caminho diferente daquele que seguimos e depois o tema é amplamente desenvolvido como se fosse possível interagirmos com as outras vidas alternativas que poderíamos ter tido se em determinada altura tivéssemos seguido um caminho diferente. 
       O pensamento actual predominante é o de que, se pudesse voltar atrás, não trocaria uma única das decisões tomadas ao longo dos anos. E ao mesmo tempo o sentimento de que a felicidade mais autêntica é a que advém da consciência tranquila, do poder pensar que em todas as situações e com os meios que tinha havia feito sempre o melhor que podia e sabia, e o mais de acordo possível com o que pensava ser a verdade universal da existência. Da mesma forma que o universo e a física tem leis de causa e efeito o comportamento e a ética dos seres humanos também as tem.  


         Até Março de 2023 nunca fizera a mais pequena ideia de que os primos brasileiros da mesma geração dos pais continuavam a relacionar-se assiduamente com as famílias reais europeias e com alguma elite do cinema americano ( Fred Astaire, Charlie Chaplin, Greta Garbo, Grace Kelly, Jack Nicholson, Aldous Huxley, Jack Warner, Mick Jagger, Carmen Miranda ... ) , mas mesmo assim o desejo de ir para o Brasil tinha começado a formar-se logo aos dez anos, ainda nos anos sessenta, depois de ter conhecido um tio avô brasileiro que veio a Portugal visitar a família, e aos dezasseis anos já era um desejo tão forte como se fosse algo que estivesse no sangue, algo com que já tinha nascido, como se fosse essa a única razão de viver. Como se uma inegável força interior dissesse que esse era o destino, que era para isso que tinha nascido, algo de semelhante ao que acontece na natureza com as tartarugas que podem estar do outro lado do planeta e voltam à praia onde nasceram para desovar ou o que acontece com os salmões que também voltam ao rio onde nasceram. Como se fosse um desejo inexplicável mas absolutamente decisivo para cumprir a vida para a qual tinha nascido. 

         Uma vez que este texto já se está a tornar demasiado extenso os motivos e a descrição das várias tentativas de ir para o Brasil, mas querer ir sozinho e sem depender da família, e também mais alguns factos sobre a família brasileira, estão descritos no primeiro texto da página com o nome  Jardim das Memórias deste mesmo site.
       

 

 


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                                   CASAMENTOS ENTRE PRIMOS



       Outro facto que também me pareceu significativo, ao ler os livros de registo de casamentos dos ascendentes, por vezes com caligrafias dignas de livros com iluminuras mas outras vezes também com caligrafias quase indecifráveis, foi ter percebido que era mesmo bastante frequente primos ora mais ora menos afastados casarem entre si. Havendo até vários assentos de casamentos em que ficava registado a "dispensa de segundo ou terceiro grau de consanguinidade".   
       Foi com alguma surpresa que percebi que os meus avós maternos, com quem havia sido criado, também eram primos , uma vez que eram ambos descendentes da mesma trisavó, Maria Seabra da Motta, nascida em 1778, em Mogofores. Apesar de os genealogistas académicos terem tendência a separar e a afastar os diferentes ramos familiares talvez se esqueçam que o conceito de família em tempos passados era como se fosse o de uma grande comunidade alargada e com tendência para o casamento entre familiares mais afastados mas descendentes de antepassados comuns. Foi também pelos registos de baptismo e casamento que percebi que pelo lado do avô materno era descendente de dois diferentes ramos da família. Os Seabra da Motta de Mogofores e também os Ribeiro de Seabra  de Avelãs do Caminho. E também constatei que havia mesmo bastantes registos de descendentes dos Seabra da Motta a residir e a casar em Avelãs de Caminho e Sangalhos, o que só confirma a tendência para o casamento entre diferentes ramos familiares. Foi mesmo bastante frequente, ao seguir as árvores genealógicas, constatar que diversas pessoas tinham o nome de Seabra tanto na ascendência por via paterna como por via materna. Umas vezes vindos de diferentes ramos familiares mas também por vezes com o mesmo
antepassado comum 3 ou 4 gerações antes.
       Apesar de os genealogistas serem bastante reticentes em fazer conjecturas sem conseguir provar o registo de todos os nascimentos seguidos penso que seria quase impossível não haver também uma ligação com o núcleo familiar de Viseu (Tondela), descendente do capitão de ordenanças Gregório Seabra da Silva, o ancestral mais antigo de que é possível verificar o registo naquele ramo da família, nascido em 1665. Até porque tanto o núcleo de Viseu quanto o de Mogofores tinham frequentes ligações com a Universidade de Coimbra, o que por certo atrairia outros familiares a viver na cidade, estando inclusive documentado que havia "fortes laços de amizade" entre José Seabra da Silva (secretário de estado do Marquês de Pombal ), nascido em 1732, e neto do Gregório Seabra da Silva de Viseu, e a família Seabra da Motta de Mogofores. 
 

       Também foi possível verificar diversos documentos indicando que havia na família, desde o século XVI até ao séc. XX, uma elevada percentagem de emigração para o Brasil, provavelmente para ir ter com outros familiares que já lá residiam. 
        A tendência para o casamento entre primos, ora mais ora menos afastados, talvez possa explicar a interligação e a unidade que se foi mantendo entre os principais núcleos familiares que se situavam na região de Viseu, Avelãs de Caminho e Mogofores ( que frequentemente faziam a vida em Coimbra ou Aveiro) , e também os da região de Santarém (que provavelmente estariam mais ligados a Lisboa).




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          Sugestão de música de fundo   

       


 

                                           SOBRE A GALIZA E O POVO GALEGO

    
         É interessante pensar agora que muito antes de saber que os ancestrais mais antigos tinham origem na Galiza já antes tinha uma grande simpatia pelos habitantes desta província espanhola que se identificam mais com a cultura portuguesa do que com a cultura de Espanha e que até na maneira de ser e de estar tem muito mais semelhanças com os portugueses do que com os espanhóis. Havendo mesmo um movimento político na Galiza que pretende ainda mais autonomia de Espanha precisamente por continuarem a se identificar mais com a cultura e com as tradições portuguesas. Havendo também quem defenda que a língua galega, bastante diferente da espanhola, devia ser considerada uma variante da língua portuguesa com a qual tem bastante mais proximidade. 
        Era bastante frequente, no tempo da ditadura portuguesa, os membros da resistência refugiarem-se na Galiza, e talvez seja por isso que a Associação José Afonso (AJA) não foi criada por portugueses mas por galegos, que têm feito bastante mais do que os portugueses para manter e divulgar a música e a obra de Zeca Afonso.
       Sempre houve de facto uma grande admiração e apreço, nem sempre devidamente correspondidos, por parte do povo da Galiza em relação à cultura portuguesa.


       Até 2004 era frequente passar as férias de Verão na Galiza, correndo todo o litoral e também algumas zonas do interior. Só deixámos de ir para lá quando soubemos que o grupo de amigos de Lisboa, que já conhecia desde os anos 80 , tinham uma espécie de refúgio secreto no litoral alentejano onde se reuniam todos os anos, e desde então que começámos a passar o Verão sempre com eles.

        E também é curioso pensar agora que desde o início da Associação Magenta na Figueira da Foz (em 2003) , que começámos a fazer intercâmbio de iniciativas e de exposições com vários pintores da Galiza a ponto de mais tarde formarmos mesmo uma outra  Associação independente com o nome de Associação da Amizade e das Artes Galego Portuguesa.         
        Provavelmente ficarei sempre na dúvida se seriam apenas coincidências ou se seriam também tendências ... A única certeza possível é a sensação que sempre tive de que as raízes da portugalidade tinham uma ligação bastante forte com as gentes da Galiza. 

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         Apesar de ter vivido sempre sem saber quem eram os antepassados ao saber agora quem foram foi como se finalmente juntasse a última peça do imenso puzzle de toda uma vida. 
        Foi como se a procura pela própria identidade fizesse agora ainda mais sentido.
        Como se agora a atracção que sempre tivera por tudo o que era antigo fosse finalmente explicado. O fascínio pelo passado que sempre se manifestara das mais diversas formas, mas de uma forma bastante mais intensa durante o tempo em que estivera a estudar.
       Foram anos em que parecia estar a fazer literalmente uma viagem no tempo, passando por quase todas as épocas mais significativas da história.
       Quase todos os edifícios mais antigos de Coimbra são grandes construções que pertenceram a mosteiros e conventos ou à Universidade e ao estado e desde o palacete onde tinha aulas até aos claustros, parques e grandes jardins para onde frequentemente ia estudar ou até aos edifícios seculares onde participava em todo o tipo de actividades extra curriculares faziam pensar que podia viver em qualquer outro tempo menos no tempo presente.
        Como é natural, e uma vez que nunca nada soubera sobre os antepassados, imaginava que a curiosidade pelo passado era semelhante à de qualquer outra pessoa que tem um pouco mais de interesse pela história
 pormenorizada. Para além disso também pensava que as fantasias próprias da juventude aliadas ao desejo da eterna busca pela alma gémea frequentemente faziam passar por sensações de 'dejá vu' associadas a imagens da Belle Époque ou mesmo do tempo do Renascimento, o que levava a pensar que talvez tivesse a ver com alguma paixão que tivesse vivido em outros tempos. Mas logo a seguir o lado mais racional também fazia pensar que devia ser por ter visto alguns filmes ou por ter lido alguns livros com romances de cavalaria ou o Decameron de Boccaccio ou até mesmo por ter tido algumas amizades no passado em que a delicadeza feminina se assemelhava bastante há que habitualmente se associa com essas épocas do passado.



        Esta viagem ao passado terminou de forma quase repentina, como quem acorda de um longo sonho, por causa de nas férias de Verão ter participado no Festival de Vilar de Mouros de 1982 e depois passar o resto do Verão em Vila Nova de Mil Fontes e o mês de Setembro em Lisboa.
       No ano seguinte passaria a frequentar diariamente o Círculo de Artes Plásticas de Coimbra e grande parte dos amigos com quem convivia eram de uma geração cerca de oito anos mais novos por causa de também ser uma geração com uma nova mentalidade e bastante mais empenhada em todo o tipo de projectos artísticos e criativos. 
       Não houve grande dificuldade na mudança de hábitos de vida uma vez que já na adolescência para além da vontade de querer conhecer mais sobre o passado também sempre tivera uma irresistível curiosidade em relação ao futuro e também era frequente ler bandas desenhadas, revistas e livros do que há época se chamava de ficção científica e que de certo modo já é a realidade de hoje em dia. Encarava o tempo em que estivera a estudar como se tivesse feito uma grande viagem que com certeza deixaria marcas e aprendizagens para a vida futura.

         De qualquer modo a vida no tempo presente passaria a ser uma tentativa de conciliar o conhecimento do passado com o futuro imaginado e o interesse em relação ao passado também se foi mantendo no gosto em conversar com pessoas de mais idade para ouvir histórias e conhecimentos ancestrais ou em conhecer pequenas aldeias do interior aonde o tempo parecia ter parado, na atracção por museus ou antigos conventos e mosteiros (de preferência desertos e sem pessoas para poder imaginar a vida de antigamente), ou na atracção por antigas casas abandonadas e também pelos filmes e pelos livros que melhor descrevessem a vida tal como era no passado.

       
O que não quer dizer que não tivesse ao mesmo tempo um grande fascínio em relação ao futuro. 
        Por volta do ano 2000, quando a internet começou a se generalizar em Portugal, a interacção com as novas tecnologias passou a ser um dos principais 
focos de interesse com a sensação de estar a chegar finalmente ao mundo da ficção científica que tinha sonhado na adolescência.


                                      ... Uma vez que o texto já vai longo para uma Página inicial 
a continuação passa para a página
 com o título Jardim de Memórias onde o primeiro texto se intitula  ' Memória genética e as três tentativas de ir para o Brasil ' e onde ao longo dos próximos tempos irão sendo acrescentados outros textos autobiográficos ou sobre assuntos diversos. 


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         Para terminar e a
 propósito da atracção pelas casas antigas e pelas coisas do passado aproveito apenas para divulgar um projecto que fez como que 'perdesse'  mesmo muitas horas a ver os diversos álbuns de fotos do         
                                         Ruin' Arte Projecto.

                            
 
        
         Para mais facilmente se perceber a dimensão e o interesse do projecto transcrevo a seguir o artigo que saiu no jornal Público ( P3 ), escrito por Gonçalo Isento, em 8 de Fevereiro de 2016 , explicando o que é o    Ruin' Arte Projecto .

     
      “Ruin'Arte” é um projecto do artista e fotógrafo de publicidade Gastão Brito e Silva e surge como um “grito mudo de socorro” pelo património arquitectónico que pede a revitalização destes espaços. Idealizado desde 1987, a série só foi levada a cabo mais tarde, em 2008, e desde aí o artista que hoje já se considera “ruinólogo” passou por 1400 edifícios, 28 exposições individuais, já participou num livro, fez parte de alguns workshops, algumas palestras, entre outros. Para Gastão Brito e Silva este projecto “é uma missão". "Não apenas fotografia, mas acima de tudo uma forma de preservar estes locais com um registo histórico e fotográfico cujas memórias não devem ser esquecidas”, explicou ao P3. O artista referiu que “encontrar beleza na decrepitude nem sempre é óbvio. "Mas a riqueza gráfica de uma ruína é muito maior do que uma 'mansão' ou um palácio. Estes edifícios estão carregados de nostalgia”. Questionado sobre a possível orientação política do projecto, o artista respondeu que o “Ruin'Arte” “tem o cunho da portugalidade, não sendo de es
querda nem de direita, sendo apenas por Portugal”. A reabilitação deste património, diz o autor, serviria a “evolução" da economia e da cultura do país, contribuindo para uma "sociedade mais inteligente sensível e dinâmica”. ...  "

                                           
                                 Gonçalo Isento



        No link abaixo podem ser vistos diversos álbuns com fotos de sublime qualidade de edifícios antigos extremamente belos, lembrando épocas e acontecimentos do passado, e que se encontram abandonados e em ruínas nos mais diversos locais do território português, de Norte a Sul.  

 

 

 




         

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       Depois de feitas as apresentações e a explicação do motivo de alterar o nome e a assinatura é tempo de deixar o leitor prosseguir com a visita pelas diversas páginas. 
 
          
        Na página O Percurso de pintura encontra -se um breve resumo auto biográfico explicando as razões de optar por um certo estilo de pintura até chegar aos quadros nocturnos sempre com o fundo em negro realçando o efeito das luzes coloridas. 

       Para ser mais fácil de localizar os álbuns estão separados por Telas em acrílico e Aguarelas, Quadros disponíveis e indisponíveis, e nas Aguarelas I são temas de Coimbra e Aguarelas II são temas diversos. 

      Desejamos uma visita agradável e que as imagens, do mesmo modo que o foram durante a execução dos quadros, também possam ser uma forma de tranquila evasão da turbulência da vida quotidiana e que possam proporcionar longínquas, serenas  e interessantes deambulações, consoante a ligação que possam ter com o imaginário visual de cada um. 

         Obrigado pel
a visita ! Voltem sempre !            

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  " La religión y la política tienden a dividir familias y incluso hasta pueblos enteros. 

             El arte la música y la poesía los vuelve a juntar. "   --   Brice  



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( som no símbolo de música no canto inferior direito ) 

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