

C Seabra da Motta
Nota biográfica
Carlos Manuel Seabra Pereira de Carvalho nasceu a 8 de Março de 1958 em Santarém .
Com cerca de um ano de idade e até aos 5 anos ficou a viver em Sangalhos com os avós maternos e com a tia 'madrinha'. Fez o pré escolar num colégio em Roma , onde os pais residiam por motivos profissionais do pai. Uma vez que os pais e os irmãos também regressaram a Coimbra passou a residir definitivamente na cidade dos estudantes desde os 7 anos , frequentando a escola primária dos Olivais , depois o liceu D. João III (actual José Falcão) e em seguida o ciclo de filosofia do Iset (Instit. Sup. de Estudos Teológicos de Coimbra), terminando em 1982. O interesse em frequentar filosofia foi na sequência de uma fase de dúvidas e questionamentos existenciais, próprios do início da juventude, e que haviam levado a uma complicada indecisão em relação ao que fazer no futuro. Durante a adolescência chegara a pensar que talvez o mundo da música fosse o único ambiente em que conseguiria se sentir integrado. Tanto pela música em si como por ser o ambiente em que o convívio e a socialização pareciam ser mais autênticos e saudáveis. Mas diversos acontecimentos, entre os quais a perda de ambos os avós, com quem havia sido criado, durante a fase da adolescência, e alguns problemas de saúde que condicionariam a vida futura quando tinha dezoito anos, depressa fizeram pensar que não tinha nem capacidade, nem saúde e boa disposição suficientes para conseguir acompanhar os compromissos inerentes ao meio musical enquanto profissão.
Imaginava que estudar filosofia talvez pudesse alargar os horizontes e ajudar a encontrar uma possível vocação. E ajudou de facto. Uma vez que o ciclo de filosofia do ISET abrangia áreas muito diversas, entre as quais a História da Arte, e tendo obtido a melhor nota na disciplina de História da Arte devido ao interesse despertado, foi o suficiente para perceber que a vertente artística da existência era aquela em que se sentia mais à vontade e em que o trabalho seria feito com gosto.
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Em 1983 começou a frequentar diariamente o Círculo de Artes Plásticas de Coimbra, sob orientação da pintora Túlia Saldanha e do professor da faculdade de Belas Artes Alberto Carneiro.
Mais tarde frequentou o atelier do pintor Vasco Berardo para aulas particulares de aguarela e conviveu com o pintor José Penicheiro, o que se tornou mais um incentivo para enveredar pela pintura.
Expôs pela primeira vez no Círculo de Artes Plásticas de Coimbra em 1983.
Em 1985 edita um livro de poesia com o apoio da Associação Portuguesa de Escritores e em 1986 edita uma litografia de um dos primeiros trabalhos de técnica mista de fotomontagem com pintura.
Ainda em 1985 foi para Paris onde residiu cerca de meio ano , expondo aguarelas na Pont des Arts ou vendendo directamente para revendedores de pintura e pessoas que ia conhecendo, aproveitando o tempo para conhecer galerias e o ambiente geral da cidade.
Curiosamente na mesma altura apareceu também o escultor ambiental Javacheff Christo, que ficou conhecido internacionalmente por envolver grandes monumentos em panos ou telas, e envolveu também a Pont Neuf ( mesmo ao lado da Pont des Arts ) pelo que acabou por ser mais interessante ainda a experiência de expor aguarelas por sobre a obra do dito escultor e conversar com as pessoas que passavam de propósito para visitar e passear por sobre a ponte.
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De regresso a Portugal continuou a explorar diversas técnicas de pintura e também a desenvolver uma técnica mista de fotomontagem com pintura que já havia iniciado em 1983.
O permanente interesse pela imagem, tanto em pintura como em foto, e também pela escrita, fez com que chegasse a frequentar um curto curso de cinema e publicidade.
Tendo vivido dois anos na Costa Nova , colaborou com a associação AveiroArte , participando com dois trabalhos da técnica mista de pintura e foto colagem na exposição colectiva de 1984 no Salão municipal de cultura de Aveiro.
Mais tarde também colaborou com o Centro Cultural da Nazaré participando em algumas exposições colectivas.
Os locais onde residiu que mais influencia tiveram no imaginário criativo foram Coimbra, Aveiro (Costa Nova), Figueira da Foz, Lisboa e Alentejo Litoral.
Em 1993, tendo constituído família, abriu um espaço num centro comercial em Coimbra que acabou por ficar a cargo da companheira e funcionou como loja em diversos ramos mas onde também costumava expor os próprios quadros e serigrafias do pintor José Penicheiro.
Em conjunto com a companheira desenvolveram uma antiga técnica de escultura de alto relevo feita em couro e pintada com as diversas cores da madeira, uma técnica pouco conhecida do grande público mas que já havia sido usada em alguns países africanos e também na execução das máscaras de Veneza. Mais tarde, ao fazer 2 ou 3 grandes feiras de artesanato anuais, houve vários donos de lojas de artesanato a querer fazer contratos de revenda com exclusividade para a região. Desde então a companheira iniciou actividade como empresária em nome individual e passariam a distribuir as peças por lojas de artesanato nos mais diversos pontos do país tendo como base um portfolio com cerca de setenta diferentes figuras.
Em 1997 , para poder regressar à pintura, entregou um projecto na Casa Municipal da Cultura de Coimbra, baseado numa lei municipal que permitia a livre expressão artística no centro da cidade, e tendo o projecto sido aprovado passou a expor no centro histórico, na rua Visconde da Luz, no local de maior movimento da cidade , tanto de turismo como de conimbricenses. A pintura ao vivo acabou por se tornar um polo de atracção inesperado e uma vez que a classe média da época ainda mantinha um razoável poder de compra e também havia muitos estrangeiros foi uma altura de grande produção de aguarelas.
Em 2000 fez uma parceria com uma galeria em Óbidos para realizar pinturas de Óbidos por encomenda.
Em 2003 juntou-se a um grupo de pintores e amigos que iriam fundar a Associação Magenta na Figueira da Foz . Entre eles estava o pintor Mário Silva , como sócio número 1. Desde 2003 até 2020 colaborou regularmente com a Magenta participando em exposições colectivas quase todos os anos e diversas exposições individuais ou em parceria.
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Em 2007 começou a participar em exposições de um grupo de pintores que faziam intercâmbio de iniciativas artísticas entre Portugal e a Galiza. Grupo esse que em 2010 fundou a AAAGP ( Associação da Amizade e das Artes Galego Portuguesa) da qual também fez parte.
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Também em 2007 passou a ser sócio da Associação Arte à vista de Coimbra começando a participar regularmente nas exposições e actividades da associação , entre as quais se destacava a exposição mensal , seguida de jantar e tertúlia , realizada no restaurante Cantinho dos Reis em Coimbra.
Entre 2007 e 2013 participou regularmente nas exposições que 2 ou 3 vezes por ano a Arte à vista realizava no Centro comercial Atriumsolum em Coimbra.
Desde 2013, quando a associação deu baixa de actividade, até 2023, continuou a organizar as 2 ou 3 exposições por ano no C. Com. Atriumsolum junto com os pintores José Cosme e Elvira Abrantes, e convidando quase sempre mais 1 ou 2 pintores para participar na exposição.
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Em 2013 começou a participar nas tertúlias e exposições colectivas do grupo Arte à Mesa que desde o ano 1999 organiza ininterruptamente exposições e tertúlias mensais nas salas do restaurante Nacional em Coimbra.
Em Setembro de 2016 e Outubro de 2017 , também no restaurante Nacional, realizou duas exposições em parceria com a pintora Elvira Abrantes.
Em 2019 , a convite de Rui Mendes, mentor do grupo Arte à Mesa, realizou uma exposição individual retrospectiva (1983 - 2019 - Retro perspectiva ) nas salas do restaurante Nacional.
Devido à simpatia e amabilidade dos donos do Nacional manteve uma exposição permanente durante cerca de 2 anos (2017 - 2018) na sala de eventos do restaurante.
Em 2016 e mais tarde em 2020 foi editada uma série de 40 litografias (reproduções de alta fidelidade) de telas e aguarelas anteriormente realizadas.
Actualmente , além de continuar a desenvolver o estilo em que explora os efeitos da luz em fundo negro , em 2020 também voltou a fazer algumas experiências com a técnica mista de foto montagem com pintura sobreposta, iniciada em 1983, e também algumas experiências de pintura com imagens inspiradas em pormenores de natureza selecionados mas na mesma linha do claro escuro desenvolvida anteriormente.
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